Do recado


Sempre te escudaste nos erros dos outros para desculpar os teus. A tua inteligência – que nunca te cansas de apregoar – ainda não te permitiu entender que vais magoando com os teus gestos egoístas as pessoas que gostam de ti. É uma posição confortável, mas impeditiva de perceber que o teu principal inimigo és tu. Tens que lutar contra ti todos os dias, entender os teus fantasmas, evitar a tua inércia, renegar a auto-admiração.
Se é verdade que já desisti de ti, não deixa de ser menos verdade que ainda me sensibiliza o teu anunciado naufrágio. Talvez isto seja um texto ressabiado, talvez não. Talvez seja um recado amigo, de quem se preocupa contigo e se revê em ti.
(sim, somos muito parecidos - este texto é sobre ti, mas podia ser sobre mim)

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